08/31/2026
06:05:01 PM
A preservação da língua, da cultura e das raízes pomeranas foi tema do programa Encontro 9.9, da BJ Rádio Web, nesta segunda-feira (31). Sob o comando do comunicador Juares da Luz, o programa entrevistou Nilza Tessmann, presidente da Associação Cultural Pomerana 18 de Janeiro, de Camaquã (RS).
O nome da entidade faz referência ao dia 18 de janeiro, data que marca a imigração pomerana no Rio Grande do Sul, com a chegada dos primeiros imigrantes pomeranos a São Lourenço do Sul.
Durante a entrevista, Nilza falou sobre o primeiro intercâmbio cultural e linguístico envolvendo professores de língua pomerana de Camaquã e do Espírito Santo. Segundo ela, a iniciativa permitirá a troca de experiências sobre ações desenvolvidas para preservar, ensinar e estimular o uso do idioma.
O Espírito Santo abriga a maior comunidade pomerana do Brasil, seguido pelo Rio Grande do Sul. De acordo com Nilza, o estado capixaba concentra uma das maiores comunidades pomeranas do mundo e conta com municípios onde a língua pomerana foi cooficializada.
A presidente também destacou iniciativas voltadas à preservação de línguas e ressaltou a necessidade de estimular o uso do pomerano no cotidiano.
“Precisamos incentivar o uso de outras línguas”, afirmou Nilza
.Segundo ela, o trabalho da associação busca defender não apenas o idioma, mas também a cultura, a identidade e as raízes do povo pomerano. Nilza defendeu que os próprios descendentes valorizem e utilizem a língua como forma de garantir sua continuidade entre as próximas gerações.
Intercâmbio será aberto à comunidade
O intercâmbio pomerano será realizado nesta quinta-feira (3), a partir das 15h30, no Café Peglow, localizado na Rua Marechal Floriano, 475, em Camaquã. A atividade será aberta ao público.
O encontro terá atenção especial para professores de língua pomerana e educadores que falam o idioma, mas o convite também se estende a empresários e à comunidade em geral.
A proposta é conhecer experiências desenvolvidas em outras localidades para preservar e fomentar a língua pomerana e, a partir delas, ampliar as iniciativas em Camaquã.
“Queremos despertar o interesse pela língua pomerana”, destacou Nilza.
Entre os trabalhos que serão apresentados durante o intercâmbio está uma iniciativa de educação financeira em língua pomerana. Também serão compartilhados projetos desenvolvidos junto a professores e outras experiências voltadas à valorização e ao ensino do idioma.
Preocupação com as novas gerações
Durante a entrevista, Nilza demonstrou preocupação com o futuro da língua pomerana. Ela lembrou que, há cerca de dez anos, ainda era comum ouvir pessoas conversando em pomerano no centro da cidade, situação que, segundo ela, se tornou cada vez mais rara.
A mudança gera preocupação sobre como estará o idioma daqui a mais uma década. Nilza observou ainda que, durante muito tempo, algumas pessoas tiveram vergonha de falar pomerano, o que contribuiu para a diminuição do uso da língua.
Outro fator apontado foi a mudança na transmissão do idioma entre as gerações. Tradicionalmente, muitas crianças aprendiam pomerano em casa, com pais e avós. Atualmente, segundo Nilza, muitas famílias deixaram de ensinar a língua aos filhos.
Apesar dos desafios, a presidente destacou que há um movimento de fortalecimento da cultura e da língua pomerana na Região Sul do país. No Rio Grande do Sul, Turuçu possui o pomerano como língua cooficial. Já em São Lourenço do Sul, embora o idioma não seja cooficializado no município, há um forte movimento de preservação, incluindo o ensino do pomerano nas escolas.
Em Camaquã, a Associação Cultural Pomerana 18 de Janeiro pretende ampliar esse processo de valorização.
“Queremos, em Camaquã, despertar a língua pomerana, tanto falada quanto escrita. Queremos que as pessoas deem a importância devida à cultura e à língua pomerana”, concluiu Nilza.
Foto: Mitiel da Luz / Blog do Juares
Confira a entrevista completa:
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