

Casos de agressão e violência contra animais registrados no início deste ano no Rio Grande do Sul e em outros estados mobilizam a sociedade e levantam um debate necessário sobre saúde mental, adolescência e responsabilidade familiar. Diante da repercussão, a Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) se posiciona com preocupação e orienta famílias e profissionais a ampliarem o olhar sobre os fatores envolvidos nesses comportamentos.
O pediatra do Desenvolvimento e Comportamento e membro do Comitê de Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), Dr. Renato Santos Coelho, lamenta os episódios e destaca que a violência na adolescência precisa ser analisada de forma cuidadosa e multifatorial.
“Lamentamos profundamente esses atos. Contudo, profissionais da área da infância e adolescência, especialmente da saúde mental, observam que situações semelhantes, embora em diferentes contextos, sempre ocorreram ao longo da história. No século XXI, esses episódios ganham maior repercussão porque os animais de estimação passaram a ocupar um espaço afetivo central nas famílias, e a mídia social amplia a visibilidade e a reação pública”, afirma o pediatra.
Segundo o especialista, não há evidências científicas robustas que comprovem uma relação direta entre jogos eletrônicos violentos ou conteúdos digitais agressivos e a prática de atos violentos contra animais. No entanto, ele pondera que a banalização da violência no ambiente virtual pode, em alguns adolescentes, dificultar a distinção entre o que é ficção e o que é realidade.
Outro ponto importante é evitar associações precipitadas entre esses comportamentos e transtornos psiquiátricos graves. “Não é adequado relacionar automaticamente esses atos a psicopatia ou sociopatia. A prevalência desses transtornos é baixa, e os casos recentes não demonstram histórico compatível dos envolvidos com transtorno de personalidade antissocial ou de conduta”, explica Dr. Renato Santos Coelho.
A SPRS ressalta que fatores familiares e sociais têm papel determinante. Modelos familiares violentos, ambientes em que conflitos são resolvidos por agressão e a influência de grupos podem contribuir para a reprodução desse padrão. A adolescência, por si, é um período de intensas transformações, busca de identidade e maior suscetibilidade à pressão dos pares.
Segundo o médico, a prevenção passa por diálogo constante, supervisão adequada e construção de vínculos sólidos. É fundamental que pais e responsáveis conversem abertamente sobre violência, estabeleçam limites claros e demonstrem, pelo exemplo, formas saudáveis de resolução de conflitos. A máxima de que violência gera violência segue atual.
A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul reforça que a abordagem deve ser educativa, preventiva e baseada em evidências, envolvendo família, escola e profissionais de saúde.
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